Mulher, muito além de saias, laços e ligas: avanços, embora lentos

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A história perversa do Brasil com o feminino mostra, sobejamente, que a caminhada da mulher foi e é tortuosa, íngreme, com fartas doses de repressão, violência, teorias misóginas, que até nós mesmas as disseminamos.

A figura da mulher na História Oficial do Brasil nos seus dois primeiros séculos, como protagonista de ações edificantes, é inexistente. Há sim referências sobre paixões do homem branco (europeu) por índias e também apelos de padres jesuítas, ao Rei de Portugal solicitando o envio de mulheres para gerar filhos, mas que fossem submissas. Posteriormente apareceram as feiticeiras, as prostitutas, as adúlteras e também a mulher cozinheira, caprichosa, servindo ao homem (patrão ou esposo), controlada por ele em todos os seus atos. Segundo a romancista Ana Miranda (Ser Mulher. 1993, art): “Padre Vieira achava que as mulheres deviam sair de casa em apenas três ocasiões: para o batismo, o casamento e o próprio enterro.

O primeiro nome de mulher a aparecer na História Oficial teve como causa o sexo. Todos conhecem o nome da escrava alforriada Chica da Silva, amante do contratador nas minas de ouro. Há também outros nomes que se tornaram célebres, pelo mesmo motivo. Somente Maria Quitéria de Jesus Medeiros brilhou por seus próprios méritos: assentou praça na artilharia e lutou na guerra da Independência. Para isto teve que travestir-se de homem. Também as rainhas são citadas, mas estas já nasciam com esse direito.

A mulher, porém, não desanimou! Continuou na luta e hoje há avanços que possibilitaram à mulher a libertar-se de saias, laços e ligas e não ter como arma somente a sedução. Citar os vários ícones dessa trajetória de lutas e conquistas seria desnecessário. Elencaremos apenas algumas conquistas obtidas pelas mulheres:

  • Aceitação nos esportes (1924);
  • O direito ao voto (1932);
  • O direito ao trabalho fora de casa e remunerado;
  • Ser eleita para cargos públicos;
  • Direito ao divórcio;
  • Evitar a gravidez (com contraceptivos);
  • Matricular-se em curso superior;
  • Chegar a cargos executivos;
  • Usar calças compridas;
  • Adotar ou não o nome do marido;
  • Receber salários próximos dos pagos aos homens;
  • Discriminadas ao longo dos séculos, as lésbicas enfrentam menos dificuldades…

Tudo isso demandou estudo, organização, luta, sofrimento, lágrimas e até morte. Mas não haverá recuos. Nossa luta é justa. Merecemos nosso lugar para, ao lado dos homens, trabalharmos por mais justiça e solidariedade, com oportunidade para todos.

Às mulheres, pelo Dia Internacional da Mulher, nosso abraço carinhoso de Fé, coragem e ação. Procuremos crescer em todos os sentidos pois, por sermos mulheres, temos que provar mais competência, mais eficiência, mais comprometimento e responsabilidade em nossos atos, além de não nos manter caladas perante injustiças. Lembrem-se desta frase que nos disse a senhora Cidinha França em conversa no Núcleo Academia em Ituiutaba: “Os maus sobem por omissão dos bons.

Tereza Martins Bezerra

Pedagoga, pós-graduada em magistério de 3º. grau

e bacharela em Direito

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