Ética popular

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Quando se fala em ética, geralmente é numa discussão entre intelectuais, ou pelo menos entre pessoas esclarecidas, com algum conhecimento filosófico. No entanto a práxis ética é bastante vulgar.  Ela está, mesmo sub-repticiamente, impregnada em cada saber, em cada viver. Pois segundo Mário Sérgio Cortella, ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para decidir as três grandes questões da vida que são: quero, devo e posso. Então até mesmo o antiético, tem uma ética. Apenas o que acontece nesse caso, é que, quando essa ética é traduzida em moral, ela foge dos princípios adotados e vividos coletivamente. Pois ética é o princípio, e moral é a prática desse princípio.

Ainda inspirando em Cortella, vejo que as pessoas do bem, tem um mapa bastante claro para seguir seu caminho. É só seguir a trilha do quero, devo e posso. E eu acrescentaria aí um pequeno desvio, o preciso. Pois há coisas que eu quero, mas não preciso. Assim como tem coisas que quero, mas não devo. Aí se encontra a sabedoria ética, no equilíbrio entre o que quero, preciso, posso e devo. Interessante notar como essa questão se encaixa perfeitamente na relação das pessoas com o consumismo, pois esse momento exige também sabedoria para se distinguir o que quero e o que preciso. Há muitas pessoas que nem precisam e nem querem verdadeiramente uma tal coisa, mas tentam conseguir a todo custo, pois sua ética social, ou antiética lhe diz que ela não pode ser diferente, não pode parecer inferior ao vizinho, ao colega, ou ao grupo a que pertence.

Um comportamento ético se baseia em valores morais regulatórios de um povo, valores esses que advém do berço. É preciso, portanto, que as famílias se preocupem em passar para seus descendentes princípios norteadores do bom caráter, do humanismo, da solidariedade, princípios éticos que durante a vida só possam solidificar condutas sadias que vão tornar a vida em sociedade mais agradável.

Oportunamente estamos na época, em que, motivados pelas festividades natalinas e do réveillon somos induzidos a reflexão. Somos levados a pensar nos menos favorecidos e até aderimos a campanhas de ajuda humanitária. Porém, a mensagem que o menino-Deus quis deixar não era o da utilidade, mas sim da humildade.Além disso, esse momento, se bem aproveitado, pode nos proporcionar a capacidade de diferir o circunstancial do eterno. O voo do nosso espírito deve estar amparado pelas asas do perene. O apenas útil é a ferramenta que pode nos ajudar muito, mas não é essencial para cumprir as leis do destino. Talvez seja por isso que, como disse o Pequeno Príncipe, “só se vê bem com coração, o essencial é invisível aos olhos”. Portanto, enquanto estamos vivos sejamos éticos, sempre acreditando no poder da vontade. Principalmente da boa vontade. Da intenção sagrada do querer subir, sem usar ninguém como degrau, mas como corrimão. Estar ao lado, nem embaixo e nem acima de ninguém. Enfrentar os turbilhões das paixões desregradas com a serena maturidade da sabedoria. Vencer os redemoinhos da ganância e do ódio respectivamente com o bom senso e com o amor

José Moreira Filho

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