“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (144)

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Não existe outro tempo para celebrar o amor a não ser o agora! Sou
grato todos os dias de minha vida pela dádiva cósmica de ter como
melhores amigos essas duas pessoas incríveis, Dimas & Alminda. Meus
amados pais que sempre me apoiaram em cada decisão, mesmo nas mais
complicadas e incertas. Nunca induzindo-me a nada, mas aconselhando-me
com serenidade e amor incondicional. Também agradeço diariamente a
chance de ainda tê-los comigo nessa vida e poder usufruir de seu
carinho, sua amizade, e sua presença. Vocês sempre vibraram com cada
mínima conquista minha, abraçaram de coração a ideia de terem um filho
artista, e até hoje entusiasmam-se com cada novo trabalho meu. Meus
admirados pais, amo-os sob vontade, sem concessões, sem ressalvas, sem
mágoas, sem traumas. Amo-os loucamente, com um amor do tamanho do
universo e além. (Ciberpajé)
*
Seres asquerosos vão te bajular quando precisarem de algo seu. Esteja
atento sempre. Quando alguém de seu convívio amplo, sem causa
aparente, aproxima-se e começa a elogiar, a puxar conversa e ser
solícito, você pode estar diante de uma dessas criaturas asquerosas
sugadoras de energias alheias, mal resolvidas e mal amadas. Se você
lhe der atenção poderá ser envolvido em suas artimanhas. Tais doentes
energéticos viram a casaca instantaneamente quando conseguem o que
desejam de você, ou quando percebem que não conseguirão, tornando-se
agressivos, cínicos e hediondos. Por isso não aceite os elogios de
pessoas que não têm real afeto por você, receba-os sempre com
educação, mas não permita que penetrem em seu coração, pois isso
poderá significar sua ruína. (Ciberpajé)
*
A espécie humana tornou-se, ao longo das eras, obcecada com a morte, e
por isso passou a criar deuses e locais míticos para sua migração
post-mortem. A instigante consciência humana é paradoxal como todo o
Cosmos, por um lado nos deu a percepção de nossa unicidade como seres
fruindo a existência, por outro lado fez com que nos apegássemos à
essa percepção do ego individual, desejando assim sua perpetuação
infinita. Esse desejo de imortalidade, tirou o ser humano do foco no
agora, passamos a viver apenas no passado e no futuro, nossa mente
quase nunca consegue estar focada no agora. Estamos lembrando coisas
do passado recente ou remoto, ou projetando possíveis futuros próximos
ou distantes, por isso a maior parte de nossa espécie vive angustiada,
traumatizada, ansiosa. O agora – a única realidade- tornou-se apenas
um fantasma em que filmes do passado passam a todo momento em nossas
mentes e são substituídos por projeções de futuro. As pessoas estão
hipnotizadas por essas percepções ilusórias e não consegue viver
verdadeiramente. Em nossa essência animal, que foi obstruída pela
imberbe e obtusa cultura humana, está a força de reativarmos nossa
vida para o agora, para a completa fruição do momento presente. Somos
animais domesticados e obstruídos, temos então que resgatar essa
natureza animal para reaprendermos a viver sem a sombra do passado e a
ansiedade do futuro. Isso começa pela aceitação de que somos animais,
de nossos fluidos corporais, odores, de nossa raiva explosiva que
contemos, de nossa ternura compassiva que tememos, da quebra absoluta
da compostura de regras sociais de comportamento, da reconexão com a
sexualidade como algo selvagem e supremo. Quanto a atingirmos a “mente
cósmica”, prefiro dizer que vamos acessar a “alma universal”, não
temos que atingi-la pois somos parte dela, somos a imagem holográfica
do Cosmos e parte dele. Está tudo em nós mesmos, temos que retirar a
cortina de fumaça entorpecedora do hiperconsumismo e de todos os
valores torpes que regem nossa espécie. Não se trata de atingirmos
algo, e sim de recuperarmos o que nos foi tirado pelo apego ao ego tão
valorizado em nossa horripilante cultura que tomou-nos a noção de
unidade, de que estamos conectados a todas as espécies vivas do
planeta e do cosmos, de que só existimos devido à simbiose com as
demais espécies. A dualidade é uma farsa cultural, somos todos luz e
sombra, toda a destruição e o ódio exacerbados surgem da negação de um
desses aspectos, a complexidade da vida nasce da ligação
inquebrantável dos aparentes paradoxos vida e morte, luz e escuridão,
deus e demônio, são uma coisa só. (Ciberpajé)
*
Nunca fui nerd de coisa nenhuma. Mesmo dos filmes, bandas e HQs pelas
quais tenho grande apreço, nunca decorei falas, ou páginas, ou
participei de fóruns de discussão, nem colecionei bonecos, ou busquei
desesperadamente a autógrafos. Tenho ojeriza de tudo que se torna
culto, do endeusamento e mitificação de qualquer coisa, incluindo
personagens, músicos ou autores. Além disso abomino filas e corro
delas como o “diabo corre da cruz”. Sou um criador de HQ, vídeo,
música, performance, conto, etc., mas não sou “fã” de coisa nenhuma.
Por isso considero-me um ser de outro planeta quando estou nesses
eventos dentre os fãs e seus cacoetes já previsíveis. É verdade que
faço um cosplay, o de mim mesmo, o único que realmente me interessa e
faz algum sentido para mim. (Ciberpajé)
*
A morte é tão inevitável quanto a imortalidade.(Ciberpajé)
*
O medo é a desculpa do fraco e o combustível do forte.(Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nacionalmente nas áreas de
arte e tecnologia e histórias em quadrinhos. [email protected]

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